Conferência «Power Africa Today» da AEW vai analisar como África transforma o potencial de energia limpa em energia fiável na AEW
O debate sobre a energia limpa em África atingiu um ponto de viragem. As tecnologias necessárias para gerar energia renovável de baixo custo estão agora comprovadas e amplamente implementadas, mas mais de 600 milhões de pessoas na África Subsariana continuam sem eletricidade fiável. O continente adicionou um recorde de 11,3 GW de capacidade renovável em 2025 — liderado pela Etiópia, África do Sul e Egito — e a questão premente já não é como produzir energia limpa, mas sim como fornecê-la na escala e com a fiabilidade que a indústria exige.
Estas questões estão no cerne da conferência «Power Africa Today» da African Energy Week, que decorrerá na Cidade do Cabo de 12 a 16 de outubro. A sessão «Capturing Africa's Clean Energy Opportunity to Close the Power Generation Gap» (Aproveitar a oportunidade da energia limpa em África para colmatar o défice de produção de energia) irá ir além das ambições gerais para abordar os compromissos de conceção, os desafios de integração de sistemas e as soluções técnicas emergentes que determinam se a nova capacidade se traduzirá num abastecimento fiável.
Um tema determinante será a transição da produção para a integração. À medida que o custo da energia solar e do armazenamento tem vindo a diminuir, a principal limitação passou a ser a rede elétrica. O «Africa Clean Energy Corridor» identifica este desequilíbrio, apelando a um investimento de até 25 mil milhões de dólares por ano na produção até 2030, a par de mais 15 mil milhões de dólares por ano na infraestrutura de transmissão necessária para transportar essa energia até ao ponto de consumo.
O armazenamento de energia é fundamental para esse esforço. Em todo o continente, redes fracas e instáveis reclassificaram os sistemas de baterias como infraestruturas nacionais essenciais. A tecnologia é cada vez mais utilizada para estabilizar a frequência, reduzir os cortes de fornecimento e substituir a geração ineficiente a diesel. Condições operacionais adversas, desde altas temperaturas até localizações remotas, estão a levar os promotores a optar por sistemas totalmente concebidos com manutenção automatizada, em vez de hardware autónomo.
O abastecimento descentralizado é apoiado tanto pelos governos como pelo setor privado, mas levanta questões próprias em termos de custos e conceção. Os custos de capital das minirredes na África Subsariana caíram cerca de 20% entre 2020 e 2024, para uma média de quatro anos de 6 824 dólares por kWp; no entanto, esse valor ainda é mais do dobro do valor de referência global, que ronda os 3 000 dólares por kWp. Com a maioria das cerca de 3 000 mini-redes da região ainda dependentes de subvenções e financiamento concessionário, a sessão irá analisar de que forma os modelos comerciais podem levar a implantação à escala industrial.
«A energia fiável abrange todas as partes da cadeia de valor. É o que transforma uma licença de exploração mineira numa fundição e uma ligação numa oportunidade de emprego», afirma NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia. «Conseguir que as redes e o financiamento funcionem corretamente é a forma de alcançarmos esse objetivo.»
O debate surge num contexto de progressos acelerados. A «Mission 300», a iniciativa de eletrificação do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento, já ligou mais de 50 milhões de pessoas em 40 países, prevendo-se que cerca de metade das ligações futuras provenham de soluções fora da rede. Ao reunir decisores políticos, empresas de serviços públicos, investidores e promotores em torno dos mecanismos práticos de implementação — desde a contratação pública competitiva até à transmissão transfronteiriça e ao armazenamento adaptados às condições locais —, a Power Africa Today pretende transformar esse impulso em energia fiável e acessível, capaz de sustentar o crescimento industrial de África.