Gana, Seicheles e São Tomé e Príncipe vão destacar os planos de investimento no setor energético na Power Africa Today 2026
O Gana, as Seicheles e São Tomé e Príncipe estão a avançar com percursos de transição energética distintos, mas convergentes, à medida que os governos passam da conceção de políticas para infraestruturas prontas a ser executadas e carteiras de projetos passíveis de investimento. Estas estratégias nacionais serão apresentadas na conferência «Power Africa Today», durante a Semana Africana da Energia (AEW) 2026, na Cidade do Cabo, de 12 a 16 de outubro.
No centro do diálogo, o Ministro da Energia e da Transição Verde do Gana, Dr. John Abdulai Jinapor; a Ministra do Ambiente, Clima, Energia e Recursos Naturais das Seicheles, Marie-May Jeremie; e o Ministro das Infraestruturas e Recursos Naturais de São Tomé e Príncipe, Nelson Cardoso, irão delinear a forma como os seus respetivos países estão a mobilizar investimento nos setores dos hidrocarbonetos, das energias renováveis e das infraestruturas.
No Gana, o fornecimento de crude Jubilee à Refinaria de Petróleo de Sentuo, em Tema, marca um primeiro passo no sentido de reforçar a capacidade de refinação interna e reduzir a dependência das importações, contribuindo para uma maior segurança energética e para o abastecimento de combustíveis industriais. Esta integração a jusante está a ser complementada por um programa de recuperação a montante, ancorado num esforço de investimento de 3,5 mil milhões de dólares, incluindo um acordo de 1,5 mil milhões de dólares com a Eni e um acordo-quadro de 2 mil milhões de dólares com a Jubilee Partners, com o objetivo de estabilizar a produção e garantir um abastecimento fiável de hidrocarbonetos, tanto para as receitas de exportação como para as necessidades energéticas internas, incluindo o desenvolvimento de projetos de conversão de gás em energia.
Ao mesmo tempo, o Gana está a dar resposta aos desafios estruturais da rede elétrica através de um programa de eficiência e modernização da transmissão no valor de 182 milhões de dólares, liderado pela Electricity Company of Ghana, a par de ajustamentos tarifários destinados a estabilizar o setor energético. Em conjunto, estas reformas refletem uma estratégia mais ampla que integra a recuperação a montante, a expansão a jusante e a reforma da rede elétrica num quadro de transição justa centrado na industrialização e na criação de emprego.
As Seicheles estão a promover um modelo de transição energética para pequenas ilhas, ancorado no seu Programa Acelerado de Energias Renováveis, com o objetivo de atingir uma penetração de 15% das energias renováveis até 2030, através da modernização da rede e de estruturas de investimento com risco reduzido. Reformas complementares no âmbito da Public Utilities Corporation, incluindo melhorias na central de produção de Roche Caiman, apoiam esforços mais amplos para reforçar a resiliência energética e diversificar a economia da ilha através de iniciativas da economia azul.
Em São Tomé e Príncipe, a estabilização macroeconómica no âmbito de uma Linha de Crédito Alargada do FMI está a permitir um ambiente de investimento em infraestruturas mais estruturado. Este processo está a ser reforçado por uma subvenção de 24,5 milhões de dólares do Banco Africano de Desenvolvimento, parte de um pacote mais vasto de investimento em energia limpa destinado a acelerar a transição do país da produção baseada no gasóleo para as energias renováveis e a melhorar a fiabilidade da rede elétrica. Os recentes esforços de integração das energias renováveis, incluindo a implantação de energia solar em pequena escala e sistemas de produção híbridos, estão a contribuir para a estabilidade da rede, à medida que o país se empenha em reduzir a dependência de combustíveis importados e em reforçar o desempenho do sistema.
A par de uma carteira de 72 milhões de euros apoiada pelo Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB), estão a ser estruturadas concessões hidroelétricas planeadas ao longo do rio Adabe e o desenvolvimento solar em Água Casada, com o objetivo de atrair capital privado através de quadros de parcerias público-privadas com risco reduzido, apoiando os esforços para expandir o acesso fiável à eletricidade e construir um sistema energético mais resiliente.
«Em toda a África, os governos estão a avançar de forma decisiva da conceção de políticas para a sua implementação, transformando a ambição em ação no terreno», afirma NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia. «Os investidores estão a responder na mesma linha, apoiando projetos energéticos claramente estruturados e financiáveis, prontos para gerar impacto em grande escala. A conferência “Power Africa Today” na AEW 2026 reflete esta mudança, reunindo governos e investidores focados em levar os projetos do conceito à execução.»
À medida que os mercados energéticos africanos continuam a passar da ambição política para carteiras de projetos orientadas para a execução e passíveis de investimento, a «Power Africa Today» na AEW 2026 proporcionará uma plataforma para que governos e investidores se envolvam diretamente em estratégias capazes de acelerar a concretização de projetos e desbloquear novos fluxos de capital em todo o continente.