01 Jul 2026

Governo nigeriano vai promover o investimento e a cooperação pan-africanos na AEW, na Cidade do Cabo

Governo nigeriano vai promover o investimento e a cooperação pan-africanos na AEW, na Cidade do Cabo

O senador Heineken Lokpobiri, Ministro de Estado dos Recursos Petrolíferos (Petróleo), e Ekperikpe Ekpo, Ministro de Estado dos Recursos Petrolíferos (Gás), foram confirmados como oradores na African Energy Week (AEW) 2026, que decorrerá na Cidade do Cabo, de 12 a 16 de outubro. A sua participação destaca o posicionamento da Nigéria não só como um dos principais produtores de hidrocarbonetos de África, mas também como um motor central do investimento transfronteiriço e dos quadros institucionais que moldam o futuro energético do continente.

Este impulso é sustentado por um setor a montante em fortalecimento. A produção de petróleo bruto e condensado da Nigéria atingiu aproximadamente 1,7 milhões de barris por dia em maio de 2026, o valor mais elevado dos últimos 15 meses e a primeira vez que o país ultrapassou a sua quota da OPEP de 1,5 milhões de barris por dia este ano. A produção tem vindo a aumentar de forma constante desde os 1,48 milhões de barris por dia registados em fevereiro, apoiada por uma maior segurança dos oleodutos e pela redução das perdas de petróleo bruto. O governo tem agora como meta atingir 1,8 milhões de barris por dia até ao final do ano, a par de um ambicioso plano de investimento de 10 mil milhões de dólares no setor a montante, através da sua ronda de licenciamento de 2025/2026, que abrange 50 blocos de petróleo e gás em bacias terrestres, de águas pouco profundas, de águas profundas e de fronteira.

Esta recuperação da produção está a decorrer a par de uma mudança estrutural no panorama do setor a montante da Nigéria. Uma onda de alienações por parte das IOC de ativos em terra e em águas pouco profundas acelerou a ascensão dos operadores locais. A Shell, a TotalEnergies, a Eni, a ExxonMobil e a Equinor alienaram, no total, mais de 6 mil milhões de dólares em ativos a empresas locais, incluindo a Renaissance Africa Energy, a Oando, a Seplat Energy e a Chappal Energies. Como resultado, os produtores locais representam agora cerca de 60 % da produção de crude da Nigéria.

Ao mesmo tempo, as IOCs estão a concentrar cada vez mais o capital em projetos de águas profundas, o que aponta para um reequilíbrio, em vez de uma saída do mercado. A Shell e os seus parceiros estão a avaliar um potencial investimento de 20 mil milhões de dólares no campo de Bonga South West, enquanto a Eni continua a expandir a sua presença em águas profundas através da conversão da OPL 245 em novas licenças de desenvolvimento e exploração. A Chevron também anunciou planos para uma nova plataforma de perfuração perto do campo de Agbami no final de 2026.

Em conjunto, estas dinâmicas estão a transformar a Nigéria num mercado a montante mais diversificado — um mercado em que os produtores locais estão a expandir o controlo operacional, enquanto os intervenientes internacionais se concentram em projetos offshore que exigem grande investimento de capital. Esta estrutura em evolução está também a criar novas oportunidades de colaboração regional, particularmente com a África do Sul, que está a emergir como um parceiro-chave a jusante e contraparte de investimento.

Com a AEW 2026 a decorrer na Cidade do Cabo, espera-se que a relação energética entre a Nigéria e a África do Sul assuma um papel de destaque. O comércio bilateral entre as duas maiores economias de África atingiu 2,16 mil milhões de dólares em 2025, impulsionado em grande parte pela dependência da África do Sul em relação às importações de crude nigeriano. A África do Sul está a posicionar cada vez mais a Nigéria como uma fonte estratégica de abastecimento, num contexto de mudanças nos fluxos energéticos globais. Mais de 60 empresas sul-africanas investiram cerca de 7,8 mil milhões de dólares na Nigéria desde 2003, refletindo o aprofundamento dos laços comerciais nos setores dos hidrocarbonetos, das infraestruturas e dos serviços energéticos.

Estes fluxos bilaterais estão a ser cada vez mais apoiados por uma arquitetura de financiamento continental mais ampla. No centro desta iniciativa está o planeado Banco Africano de Energia, com sede em Abuja, que deverá iniciar as suas operações em setembro de 2026. Criada pela Organização Africana de Produtores de Petróleo e pelo Afreximbank, a instituição será lançada com uma base de capital inicial de 5 mil milhões de dólares e tem como objetivo mobilizar 10 mil milhões de dólares na sua primeira fase, com foco inicial na Nigéria, Angola e Líbia.

O banco foi concebido para colmatar o défice de financiamento criado pela retirada dos credores ocidentais do setor dos hidrocarbonetos africanos, oferecendo mecanismos de partilha de risco e ferramentas de validação de projetos destinadas a atrair capital internacional. O seu lançamento antes da AEW 2026 posiciona-o como um ponto de referência fundamental nas discussões sobre a forma como África financia a sua próxima onda de crescimento no setor a montante — particularmente em mercados como a Nigéria, onde a carteira de projetos está a expandir-se, mas o acesso ao capital continua a ser desigual.

«A presença da Nigéria na AEW com ambos os ministros reforça que o país não só está aberto ao investimento no setor a montante, como também está a ajudar a construir as instituições pan-africanas e as parcerias bilaterais necessárias para o financiar e concretizar. O Banco Africano de Energia, as rondas de licenciamento e o reforço do corredor Nigéria–África do Sul apontam todos na mesma direção», afirmou NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia.

A AEW 2026 reunirá chefes de Estado, ministros, operadores e investidores no Centro Internacional de Convenções da Cidade do Cabo, de 12 a 16 de outubro, numa altura em que o continente procura traduzir o aumento da produção, as estratégias em evolução das IOC e as estruturas de financiamento emergentes num crescimento sustentado no setor a montante.

 

 

 

 

 

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